Primeiros Franciscanos Seculares

São Lúcio e Santa Bona (+1250). Casal italiano, de Toscana. O primeiro a entrar na Ordem Terceira de São Francisco. Também chamados Luquésio e Bonadona, os Bem-Casados. Juntos serviram aos pobres e doentes. Morreram no mesmo dia.Este é um casal que comeu o Queijo do céu. O culto aos dois bem-casados foi permitido em 1273.
Decorria o ano de 1181, (ano de nascimento de S. Francisco) em Gaggiano, comuna da região da Lombardia, província de Milão, quando nasceu um menino, de nome Lucchese Modestini (em português: Luquésio ou Lúcio). Como outros jovens da sua idade, sonhava com armas e glória militar; começou por militar no partido do Imperador; mais tarde, por interesses comerciais, passou para o partido da Papa. Nestas suas andanças, conheceu uma jovem de Poggibonzi, Buonadonna, com a qual casou, tendo vindo a morar, na mesma terra. Ambos eram apegados ao dinheiro, e aos bens materiais. Trabalhavam no comércio;emprestavam dinheiro aos ricos e nobres e fizeram fortuna, assim como o pai deSão Francisco (Pietro de Bernardone).
Mas esta ilusão do luxo, do conforto e dos bens temporais, resultou no afastamento das coisas de Deus, e nem sempre esses negócios eram honestos.Aconteceu uma crise de víveres e Luquésio prevendo-a, comprou todo o estoque de trigo, e como único possuidor do produto, elevou os preços e teve lucros extraordinários. Por essa altura, São Francisco, andava na zona de Arezzo a pregar;sendo filho de Pietro de Bernardone, conhecido de Luquésio, do mundo dos negócios, e que como se falava na época, tinha abandonado a sua vida de burguesia, pregando e fazendo penitência, Luquésio decidiu ouvi-lo. De tão eloquentes e santas palavras, tirou o rico e abastado Luquésio, uma lição de humildade, e fraternidade para com os pobres e desfavorecidos, mudando radicalmente a sua vida, devolvendo tudo, o que por meios menos próprios, foi conseguindo e dividindo, com os pobres a sua riqueza. Nesta altura, sua esposa Buonadonna, ainda não tinha sido iluminada, pelo espírito de Francisco, pois questionava as opções do marido, duvidando até da sua capacidade mental, o qual, com muita paciência, rezava para a sua conversão.
Certo dia, estava discutindo com o esposo sobre a sua mania de dar pão a todos e que por isso tinha esvaziado toda a arca e não tinha sobrado nada.Meigamente Luquésio lhe lembra Daquele que com 5 pães e 2 peixes matou a fome a cinco mil e ainda sobraram doze cestos: com estas palavras a esposa refletiu. Quando ao abrir de novo a arca a encontrou cheia de pão fresco, a divina luz deDeus a iluminou a sua mente. Tendo perdido os seus dois filhos, o casal dedicou a sua vida a Deus e ao próximo. Sabendo que São Francisco, andava pelos campos ali próximo, muitos leigos, pedem a sua adesão à causa franciscana e entre eles estão, o casal (conhecidos como os Bem-Casados), Luquésio e Buonadonna, propondo Luquésio a São Francisco a entrada no convento e a entrada de Buonadonna para o convento de São Damião juntando-se a Santa Clara.
De pronto Francisco contrariou estas ideias dizendo: “Vocês são casados e vão continuar a viver juntos, mas vou dar-lhes uma regra de vida para se tornarem perfeitos”. Eles vestiram o hábito cor cinza e foram cingidos com um cíngulo dizendo: “Vocês vivem no mundo de frades penitentes, mas pertencem ao mundo” para fazer boas obras, jejuar e pregar a paz. São Francisco, pensava, já havia tempo que numa instituição que agrupasse também pessoas leigas, homens e mulheres casados e trabalhadores, que devido ao seu estado não podiam sujeitar-se aos três clássicos votos, de castidade, pobreza e obediência;aproveitou esta oportunidades, compôs e enviou ao casal a regra da chamada Ordem Terceira da Penitência considerada e definida como “medula do Evangelho” que foi aprovada pelo Papa Nicolau IV em 1221.
Seguindo as regras da nova vida, Luquésio vendeu a sua casa e todos os seus bens, entregou o dinheiro, para o hospital de São João e o casal, ficou a morar numa pequena casa, perto de um campo, onde Luquésio, cultivava produtos, para seu sustento e dos pobres. Certa vez um padre, passando junto ao campo de Luquésio, vendo que havia cebolas, pediu algumas e Luquésio deu-lhe tantas, que poucas ficaram. Então Luquésio pediu ao padre para as abençoar e logo elas se multiplicaram. Já na sua vida de bem-fazer passando à oração e penitência,havia perto de sua casa o ermitério de Santa Maria em Camaldo, onde Luquésio e a sua mulher se deslocavam muitas vezes para rezar; aí em contemplação o seu corpo se elevava no ar.
Luquésio recolhia muitas vezes doentes e levava-os para onde podiam ser tratados. Quando uma vez estava a levar um doente, um rapaz lembrou-se de o humilhar e Luquésio respondeu: “Eu carrego comigo o sofrimento de Cristo”, e como punição divina, o jovem tornou-se mudo, mas Luquésio, intercedeu por eleem oração, e a palavra foi-lhe devolvida. Em 26 de Abril de 1260 Luquésio e Buonadonna, unidos pelo amor na terra, foram também juntos chamados à casa doSenhor. Luquésio teve de ficar de cama, quando de repente Buonadonna, também febril e sentiu-se tão mal que pediu ao marido para chamar o seu confessor frei Hildebrando, para este lhe administrar o sacramento dos doentes. Então Luquésio, vendo a esposa muito mal, pegou-lhe delicadamente na mão e disse: “Querida, já que tanto nos amámos em vida, porque não vamos juntos para a pátria eterna? Por isso espera-me por favor”.
Tinha acabado, frei Hildebrando de lhes administrar, o sacramento dos doentes, Luquésio, vendo a esposa a morrer fez o sinal da cruz, pediu a intervenção da Virgem Maria e de São Francisco, e os dois de mãos dadas,entregaram, com poucas horas de diferença, as suas almas a Deus. O povo, que lhes nutria muito amor e admiração não regateou esforços, para louvar e bendizer,este casal abençoado por Deus e não demorou a narrar lendas piedosas e episódios prodigiosos e edificantes. Na morte, como na vida, a sua santidade foi manifestada logo no seu funeral, quando, caindo um grande aguaceiro sobre aterra, a chuva não molhou nem os caixões nem o cortejo funerário. Mais milagres lhe são atribuídos pelo povo, como por exemplo, o irmão de frei Hildebrando de nome Tebaldo, foi atingido com uma doença cancerosa no estômago: quando ao tocar no corpo de Luquésio ficou curado imediatamente. Havia um pobre homem, a quem Luquésio tinha ajudado em vida, pois tinha muitos filhos e mal os podia sustentar; quis a má sorte que fosse preso, mas, ao pedir a intercessão de Luquésio para ajudar os seus filhos, sentiu imediatamente abrir-se-lhe as correntes e viu-se fora da prisão; caminhando, em poucas horas chegou a casa distando 50 km antes de sua esposa e filhos darem pela sua falta. Algumas pessoas, pedindo a intervenção de Luquésio, viram os seus pedidos atendidos e converteram-se; um cego que se ajoelhou no seu túmulo, recuperou a vista. Uma vez, uma criança caiu a um poço; as gentes aterrorizadas pediram a intervenção de Luquésio e de imediato viram a criança sentada na água segura pela mão invisível do santo. Também uma criança com um defeito de nascença viu a sua deficiência desaparecer, passando na igreja dos monges junto ao túmulo de Luquésio.
Em 1319, frei Bartolomeu de Tolomei, regressando de um capítulo em Marselha, encontrou-se num navio, que estava prestes a naufragar, mas evocando o nome de Luquésio, aplacou-se imediatamente, a fúria dos ventos e o mar acalmou Em 1274 o Papa Gregório X, ia a caminho de Lyons; parando em Poggibonsi e ouvindo as lendas de Luquésio resolveu fazer um teste radical para testar a sua veracidade: mandou atirar a cabeça de Luquésio às chamas de um braseiro. Conta o povo que a cabeça saltou para fora do braseiro e veio descansar em cima dos joelhos da Papa. Após estemilagre foi autorizado o culto a Luquésio. Todos os anos, a 28 de Abril em Poggibonsi, realiza-se uma grande procissão, em honra do beato, com as relíquias do padroeiro e sua esposa, que repousam numa grande Basílica,construída em sua honra nesta cidade. É acesa uma grande fogueira em honra do casal, para celebrar a luz que estes foram para o mundo enquanto viveram. Foi concedido o ofício e missa em sua honra em 1694 por Inocêncio XII O casal Luquésio e Buonadonna revelam-nos os valores que devem ser observados e cultivados num lar franciscano secular, onde a caridade, a fraternidade, e o amor a Deus e aos homens e o cuidado com a família deverão ser o alicerce da nossa caminhada franciscana. Algumas Fraternidades mais antigas conservam imagens suas, geralmente de roca, e que eram destinadas a procissões penitenciais, onde figuravam outros vultos da OFS que hoje estão nos altares.
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